domingo, 28 de dezembro de 2014


selos

 

quando as mãos

que firmam um acordo

estão em sintonia

com a razão

 

quando os lábios

que se beijam

estão em sintonia

com o coração

 

quando corpos

que se desejam

estão em sintonia

com as responsabilidades

 

quando se tem selo

se tem fidedignidade

 

até as correspondências

só são encaminhadas

apenas se os selos

forem de verdade.

 
Marcelo Albertini

a sorte pode

piscar,

olhar

e sorrir

para mim

 

que eu não quero

nem saber

 

um periódico azar

visita quem fica

a vossa mercê

 

esse quesito

de se manter

 

ou não se manter

em pé

 

depende

da presença

 

ou da ausência

 

de fé.

 

Marcelo Albertini

 

 

 

sábado, 27 de dezembro de 2014


Ano Novo

 

Que venha manso e permaneça tranquilo;

Mas que tenha aventuras, das boas e não desastrosas;

Que a rotina não ultrapasse a dose e deixe sempre um espaço para ser quebrada;

Que nessa nova estação da vida a viagem em si seja mais importante do que cumprir os horários;

Contudo, que as locomotivas nunca saiam dos trilhos

Apenas mudem seu percurso de vez em quando;

Que seja escasso de ruídos

E repleto de cantos e encantos

E se houver algum espanto

Que seja para despertar dos falsos sonhos;

Que seja claro

E suas águas, que estas sejam límpidas

Para que possamos enxergar da superfície ao fundo

e pescar apenas a essência e o verdadeiro;

Que os enganos e enganosos

Os falsos e maldosos desviem seu rumo

Desviem para bem longe nós

Sentido oposto de preferência;

Que o caminho seja rico

Rico de bons amigos

Os velhos, os novos, os que estão perto e distantes

Que seja um ano de encontros e acertos;

Que seja um ano bom

Repleto de coisas boas;

Que os bons sentimentos estejam sempre ativos

E que os maus sentimentos permaneçam à toa!

 

Marcelo Albertini

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014


se o meu amor está no teu

 

dependo da sua cumplicidade

 

dependo, inclusive,

 

da qualidade do seu amor próprio

 

nesse 'negócio' sem garantias

 

que é o amar.

 

nesse 'negócio' de se entregar

 

sem garantias.

 

é preciso sonhar o sonho

 

da sabedoria.

 

 

Marcelo Albertini

terça-feira, 23 de dezembro de 2014


O teto é de saudade

 

O chão de solidão

 

Nas janelas resquícios

de sofrimento

 

Nas portas rastros

de mágoas

 

Na varanda duas cadeiras

vazias

 

No coração um lugar

incerto

 

repleto de novas

acomodações.

 

 

Marcelo Albertini

sábado, 20 de dezembro de 2014


Fui a Marte

com pensamentos

Venusianos

e a força de Plutão.

Pobre coração,

que antes do fim

da canção,

aterrissou noutro

lugar solitário

da Terra.

 

Marcelo Albertini

Nas nuvens, na terra.
 
 
Sobre um sonho almejado
 
sonhe muito bem sonhado
 
pois no fim do sonho
 
começa a realidade.
 
 
Marcelo Albertini
Entrelaçados
pelo marasmo
do amor.
A dor não...
se atrevia
a se entediar.

Eles tinham mais.
Eles tinham paz.


Marcelo Albertini

terça-feira, 16 de dezembro de 2014


no fundo do teu olhar

me encontro raso

e um tanto confuso

tentando me aprofundar.

 

no fundo do teu olhar

me escondo raso

e tanto profundo

tentando me encontrar.

 

Marcelo Albertini

domingo, 14 de dezembro de 2014


marco o passo

 

no compasso

 

fico rouco

 

espero um pouco

 

e as pernas se movem

 

devagar

 

pra te alcançar

 

sei lá.

 

 

Marcelo Albertini

 

 

sábado, 13 de dezembro de 2014


Eu admirava

aquela força estranha

que ela tinha,

de criar seu próprio céu

e sair com a cabeça erguida

de seu próprio inferno.

 

Marcelo Albertini

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014


Acordo todos os dias

às seis e trinta,

 

mas não nem sempre

é nesse horário

que eu acordo pra vida.

 

Pra vida eu posso despertar

em horários inusitados,

em diversos lugares, lares e bares

sem haver a necessidade de estar acordado.

 

Pra vida eu gosto de despertar

sonhando, sorrindo, amando,

 

mas não me importo de despertar

chorando, tropeçando, errando.

 

Pra vida eu gosto de acordar

todos os dias despertando,

 

mas nem sempre tenho tanta

sensibilidade.

 

Pra vida eu gosto de acordar

todos os dias dizendo:

 

- Pode não ser hoje vida,

mas saiba que pra você

eu quero sempre despertar.

 

Marcelo Albertini

sábado, 6 de dezembro de 2014


Franca exposição

 

Eu só não levo

a minha vida

como se ela

fosse uma vitrine,

simplesmente

porque a vida

não é uma vitrine.

Entende?

 

Marcelo Albertini

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014


Todo dia tem

um pouquinho de céu

e um pouquinho de inferno

 

Às vezes caio num abismo

tentando colher sorrisos

 

Só sei que nunca fico sem

um pouquinho de céu

e um pouquinho de inferno

 

Às vezes saio dum abismo

tentando colher sorrisos

 

Marcelo Albertini

sexta-feira, 28 de novembro de 2014


a dor se esvai

quando um novo amor distrai

e não sai mais

que nem se percebe

quando a dor se vai

e não volta mais.

 

Marcelo Albertini

terça-feira, 25 de novembro de 2014


ventou desejo

trovejou paixão

relampejou carícias

choveu amor

fez frio, frio, frio

provando que tudo

é uma questão

de clima.

 

Marcelo Albertini

sábado, 15 de novembro de 2014


Passei a noite

toda

procurando sono,

mas só encontrei

poemas.

 

Sono adentro,

dia afora.

Só problemas

na sacola.

 

Dia adentro,

sono afora.

Só poemas

na cachola.

 

Marcelo Albertini

segunda-feira, 10 de novembro de 2014


Soltei meu olhar

e você o segurou.

Depois o guardou

dentro do peito teu.

Olhar carregado

do meu amor...

visualizou que não há

mais mistérios,

entre você e eu.

 

Marcelo Albertini

terça-feira, 28 de outubro de 2014


Quando eu era menino,

tudo parecia ser maior

do que realmente é,

mas eu nunca me senti

pequeno,

quando eu era menino.

 

Marcelo Albertini

sábado, 25 de outubro de 2014


Enquanto as pessoas

tentam te levar no papo,

o fim do dia te leva pra lua,

a lua te leva pra rua,

a rua te dá liberdade,

e a liberdade te leva a acreditar,

muito mais em você.

 

Marcelo Albertini

quinta-feira, 23 de outubro de 2014


Êxtase verbal
 
Poesia d'alma se aflora
com o escurecer na aurora.
 
Apagam-se as luzes
e o palco nos convida...
 
Zumbis na plateia intrínseca...
Quem ousa pôr uma lua?
 
Verso com verso chamando mais versos,
feitos interruptores de poesia.
 
Versos temidos, confesso...
Preferia erotizar nas entrelinhas...
 
Mas não há pornografia que supere,
os orgasmos da alma aflita.
 
Escrevo poemas nus
nascidos sob a influência da lua despida.
 
Marcelo Albertini

Em seus braços

 

Fiquei em pedaços noutros braços

No espaço dum tempo me refiz em versos

Versos tristes

 

Hoje me refaço em seus braços

Leito onde desperta a poesia

Inverso dos versos de outrora

 

Hoje me refaço noutros versos

Desperto junto a poesia dum novo tempo

Tempo de amor em minha vida

 

Marcelo Albertini

segunda-feira, 20 de outubro de 2014



Não é...


 


Não é nada


esse tudo que transborda.


Não é tudo


esse nada que incomoda.


Não é pouco


esse muito desprezível.


Não é muito


esse pouco indiscutível.


Não é menos


que o tudo de outrora.


Não é mais


que o nada de agora.


Não é tudo


do que era pouco.


Não é nada


do que era muito.


Não é tudo


perto do teu nada.


Não é nada


perto do teu tudo.


Mas é tudo


perto do pouco tenho.


Mas é nada


perto do muito que sinto.


 


Marcelo Albertini


 


 


 

sexta-feira, 17 de outubro de 2014


Ela dissecou
meu miocárdio
e se foi...
Realizei
auto suturas
e compreendi...
a cada ponto,
em cada cicatriz,
que não se oferece
algo tão especial,
para qualquer pessoa.
 
Marcelo Albertini

sábado, 11 de outubro de 2014


A garota que me comia com os olhos

me inspirava a escrever poemas platônicos.

A garota que me comia com os olhos

me desafinava e me tirava do tom,

da nota, do timbre e do chão.

A garota que me comia com os olhos

desentoava todos os meus cantos,

em todos os cantos do meu ser.

A garota que me comia com os olhos me ensinou

que nem tudo o que se demonstra com os olhos

se sente no fundo do coração.

Da garota que me comia com os olhos,

decidi ficar apenas com o seu olhar.

O resto não vale nem a pena branca,

que lindamente eu vejo o vento levar.

 

Marcelo Albertini

 

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Não me lembro
da primeira vez
em que eu respirei.

Mas a vivenciei.

Talvez não seja possível,
lembrar-me da última vez
em que eu respirar.

Mas vou vivenciá-la.


Marcelo Albertini

terça-feira, 30 de setembro de 2014


fantasmagórica

é aquela poesia

que não se mostra,

de fato.

mas vira e mexe,

sinto-a tropeçar

em minhas rimas.

poesia das sombras

do meu passado.

será?

pior de tudo é saber...

que ela é minha.

 

Marcelo Albertini

terça-feira, 16 de setembro de 2014


Ainda não ouvi
a melodia do vento
ao passar por seus cabelos
encaracolados.
Mas posso sentir...
Isso me torna poeta.
Isso a transforma
em poesia.
 
Marcelo Albertini

domingo, 14 de setembro de 2014


Eterno Romance

 

Procuro insistentemente aquilo que nem conheço.

Sigo rastros que me conduzem ao desconhecido.

Faço trilhas exaustivas em prol de um objetivo enigmático.

Compro brigas por uma causa incerta.

Defendo interesses que eu mesmo desconheço,

só pra manter o calor que aquece o peito,

fazer a mente entrar em transe naturalmente,

tornar a vida menos sem graça, menos pesada,

mais incessante e interessante.

Fazer da vida um eterno romance,

com um bom roteiro, bons personagens,

muita malícia e pouca maldade;

daqueles onde o fim quem conclui é o leitor.

Pois a grande "sacada" é transcender a rotina e a mesmice,

e nunca deixar que esse belo presente com o nome de "vida"

se transforme num automatismo.

 

Marcelo Albertini

Quantas vidas tem?

 

Quantas vidas

tem quem ama?

Se já morri de amor

várias vezes,

e por amor

continuo a viver.

 

Quantas vidas

tem quem ama?

Se já ressuscitei

inúmeras vezes,

E por amor

continuarei a morrer.

 

Marcelo Albertini

quinta-feira, 11 de setembro de 2014


No castanho dos seus olhos

encontro o verde da esperança

e conforto do azul celeste

 

No castanho dos seus olhos

encontro o vermelho da paixão

e branco da paz que emanas

 

No castanho dos seus olhos

não me sinto estranho,

como me senti outrora

 

No castanho escuro dos seus olhos

Encontro a clareza,

de um amor sereno.

 

Marcelo Albertini
Dueto
 
Sou consciente
de meus excessos
e de minhas limitações,
os quais se complementam
como arroz e feijão...
...ou como feijão e arroz
E convivo muito bem
com os dois.
 
Marcelo Albertini

terça-feira, 2 de setembro de 2014


Tu és mar...

Tu tens golfinhos

e tubarões.

Tu tens baleias

e pinguins.

Tu tens algas

e tens corais.

Tu tens seus próprios cavalos

e seus próprios leões.

Tu tens marés baixas

e marés altas.

Tu tens calmarias

e tens tormentas.

Tu podes ser manso

e violento.

Tu tens o reflexo da luz do sol

e do brilho da lua.

Tu tens estrelas que brilham sobre ti

e estrelas que vivem dentro de ti.

Tu tens sal...

Tu tens sereias...

Tu tens rochas

e tens gelo.

Tu tens o mundo todo,

mas nem todo mundo pode tê-lo.

Tu tens lugares conhecidos

e lugares ainda inexplorados.

Tu tens diversas cores...

Tu tens a vida

e tens a morte.

Tu tens rios que deságuam em ti,

ou eles o tem?

Tu tens ilhas...

Tu tens milhas...

Tu és (a)mar...

 

Marcelo Albertini

domingo, 31 de agosto de 2014


Tentou tirar

Corações da cartola.

 
Tentou conquistar um amor

Num abracadabra.

 
Tentou adentrar corações

Num passe de mágica.

 
Tentou tirar da manga alguns truques,

Os quais não deram em nada.

 
É mais do que certo

Que o amor é uma magia

Onde não há mágica.

 
Marcelo Albertini

sábado, 30 de agosto de 2014


Penso nas entrelinhas

da vida,

enquanto meu café

esfria.

 

Penso em tudo aquilo

que não entendi,

enquanto meu café

esfria.

 

Penso em tudo aquilo

que não entenderam,

enquanto meu café

esfria.

 

Penso na importância

de entender as entrelinhas,

enquanto meu café

esfria.

 

Desperto e sinto o gosto

da incompreensão,

no gosto do café

frio.

 

Marcelo Albertini

quinta-feira, 28 de agosto de 2014


Saiba que a tua angústia

é a minha angústia

elevada a décima.

 

Se não me escorrem

lágrimas.

 

Se meu semblante,

não fica o tempo todo

entristecido.

 

É porque eu preciso

tentar, ao menos,

pôr em teu rosto

um sorriso.

 

Marcelo Albertini

sábado, 23 de agosto de 2014


Deu nó

na garganta

 

Deu nó

nos dizeres

 

Deu nó

nos agires

 

Deu nó

nos fazeres

 

Deu nó

nos olhares

 

Deu nó

nos sorrisos

 

Deu nós

no abraço

 

Deu nós

no amor.

 

Marcelo Albertini
Não era o tempo que passava rápido demais,
não era.
Era eu que achava que não tinha tempo
para aproveitar melhor o tempo que tinha.
Era o tempo e eu.
Ele tão simples
e eu tão complexo.
Ele apenas passava,
e eu parava enquanto pensava
que estava o perdendo....
E ele passava
enquanto eu reclamava que ele não parava,
nunca.
Ele cumpria seu papel
e eu deixava de cumprir o meu,
enquanto me preocupava com a falta de tempo.
Custou, levou, restou algum tempo
para eu entender,
que o tempo
tem que passar
e eu
tenho apenas
que viver.

Marcelo Albertini

sábado, 16 de agosto de 2014


Ao seu encontro

me desencontro.

Ganho alguns medos,

perco alguns sonhos.

E você me diz:

- Tá tudo certo!

À sua entrega

me desintegro.

Perco desejos,

ganho mistérios.

E você me diz:

- Tá tudo certo!

À sua espera

me desespero.

Olho pros lados

e não me vejo

em nenhum retrato.

E você me diz:

- Tá tudo certo!

E suas palavras

soam incertas,

tanto quanto as dúvidas,

que ficam entre as frestas.

E eu me sinto

assim tão incerto,

 toda vez que você me diz:

- Tá tudo certo!
 

Marcelo Albertini

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Navego num mar de lírios,
procurando jasmim.

Entrego-me aos delírios,
porque jaz em mim.


Marcelo Albertini


domingo, 10 de agosto de 2014

(Talvez não deva ter título)

Talvez eu saiba
porque muita gente
não concorda comigo.

Talvez seja porque
eu acredito naqueles
que quase ninguém acredita.

Talvez seja porque
eu acredito naquilo
que quase ninguém acredita.

Talvez seja por isso
que eu nunca gostei desse negócio
de grande maioria.

Talvez seja porque
na tal da grande maioria
não tenha ninguém e nem nada
daquilo que eu acredito.


Marcelo Albertini

quarta-feira, 6 de agosto de 2014


Tanto quanto...


Quantos cantos eu entoaria

Para te esquecer

Tantos agudos eu atingiria

Para te enlouquecer

Quantos graves me agravariam

Ao entoar você

Tantos fatos insistiriam

Em me entristecer

Quantos artifícios em vão

Eu empregaria...

Tanto quanto me iludiria

Em te esquecer.


Marcelo Albertini

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

O quarto elemento

Primeiro o terceiro.
Depois o segundo.
Depois o primeiro,
que queria tanto...
tanto, tanto, tanto
ser o primeiro,
que não batalhou
tanto quanto
o segundo e o terceiro.
Enquanto o quarto elemento,
apenas observa e analisava tudo
sob a sombra da sabedoria.
Desta forma, ele transcendia...
Podia ser o quarto, o quinto, o sexto...
Podia ser o infinito, infinitas vezes.


Marcelo Albertini

domingo, 3 de agosto de 2014

Inverna-me...
se for capaz de me aquecer
no verão.

Outona-me...
se for capaz de florir junto a mim,
na primavera.


Marcelo Albertini

sexta-feira, 1 de agosto de 2014


Velha casa distante de tudo

Janelas e portas quebradas a deteriorarem

Telhado cedendo... Forro habitado por morcegos

Teias de aranha nos cantos de tudo e em tudo

Piso de assoalho virando comida para cupins

Pó, poeira, terra, sujeira por toda casa, pratos, prateleiras

Moveis cobertos por panos outrora brancos

Sobrado imenso com sótão e porão

Esconderijos, biblioteca, escadaria a guardar segredos

Quintal extenso com jardim tomado por mato

Ladrilho repleto de folhas secas das árvores anciãs

Garagem com algumas telhas, forro caindo a proteger o antigo carro

Pneus murchos, motor fundido e um pequeno amassado na traseira

Para não restar dúvidas de que o automóvel já foi utilizado

Paredes externas de cor indistinguível

Sombras... Soma da trama visualizada configurando um cenário sombrio

Resultado típico de ausência... de falta de manutenção, de cuidado, de carinho...

Bastava notar apenas a falta de flores no jardim

Para saber que aquilo que parecia ser cena de filme de terror

Era apenas resultado típico de abandono.


Marcelo Albertini
O melhor amor que existe é aquele que, a princípio, não desperta interesse. O melhor amor que existe é aquele que está completamente desvinculado de interesses materiais, sociais, culturais e, principalmente desvinculado de interesses sentimentais. O melhor amor que existe é aquele que oferece amor sem querer nada em troca, sequer amor.


Marcelo Albertini

quinta-feira, 31 de julho de 2014


Deixei de colocar pingos em “is”

Agudos que gritam em “us”

Deixei de pontuar as frases

De me preocupar com as fases

Deixei de calcular as métricas

De me apegar as regras

Deixei de sistematizar denotações

De economizar conotações

Deixei o texto e a vida fluírem

As preocupações irem

E as canções virem

Entoar um canto

Ao pé quebrado de meu ouvido

Cansado de ouvir espantos.

 

Marcelo Albertini

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Grifo
em meu
abismo
seu sorriso,
que permanece
comigo
encalacrado
em minha
mente.
Grifo
para lembra-me
dos desatinos
cometidos
por um
amor,
que nunca
imaginei
que fosse
se fazer
ausente.


Marcelo Albertini

terça-feira, 29 de julho de 2014


Céu da poesia
 
Versos caídos
como anjos renegados,
do céu do amor desentoado,
enchendo o meu coração
da mais triste poesia.
 
Transbordando de saudade,
de lágrimas e sofrimento,
que escorrem para o papel
na mais triste harmonia.
 
Aterrissam feito véu,
ao léu jogado ao vento,
na beleza do papel,
acolhendo o sofrimento.
 
Anjos, agora, sem asas.
Versos, agora, sem vida.
Tristeza que cai desafinada,
emerge triunfante
ao céu da poesia.
 
Marcelo Albertini

Mar das lamentações

 

Há muito tempo, passei a notar como é desproporcional a quantidade de lamentos que nós, seres humanos, utilizamos ao longo de nossas vidas. As pessoas se lamentam o tempo todo. São tantos lamentos e lamentações descomunais. E em meio a esse mar de lamentações, sempre acabo encontrando os meus próprios lamentos submersos, um e outro se afogando, mas isso é uma raridade. E quando não encontro meus lamentos nos lamentos dos outros, numa identificação à primeira vista.

Não posso deixar de ficar abismado com essa realidade de lamentações. Seria mais apropriado e muito mais saudável se as coisas dessem certo. Se nos lamentamos tanto, é por que estamos no caminho dos desacertos, das frustrações, das decepções e, pior, não estamos nos esforçando para nos livrarmos do enfado que vivemos, o qual nos leva a entoar, diariamente, nosso canto de lamentações.

Pessoas felizes não se lamentam. Penso que ser feliz o tempo todo não seria possível, mas também não é impossível. Ao passo que se lamentar o tempo todo parece ser bastante possível. Fico triste ao constatar que há mais pessoas infelizes e frustradas do que pessoas felizes e bem resolvidas, em vista a quantidade de lamentações que encontramos por aí, roubando a cena dos discursos de contentamento, uma minoria empática.

Nem mesmo os psicólogos têm conseguido dar o diagnóstico para tal moléstia. Entre um lamento e outro, acabam dizendo que devemos buscar resolver nossos conflitos e procurarmos sermos pessoas bem resolvidas, enquanto ficamos na frente deles, rememorando nossos conflitos e nossa falta de resolução. É que o excesso de lamentações parece mesmo ser um câncer de evolução rápida, atingindo a psique, até mesmo, das mentes mais evoluídas.

Tenho para mim, que excesso de lamentos é inversamente proporcional a uma alma de conteúdo cheio. Afinal, é muito mais fácil exteriorizar lamentações do que aumentar a qualidade do teor anímico. Assim como não é muito difícil deduzir, que numa alma enriquecida de bom conteúdo, não há espaço para lamentações.

E assim sigo com minhas analogias sem teor científico algum, tentando afogar minhas lamentações nesse oceano, que insiste em se expandir e, tentando melhorar meu conteúdo anímico para que em minha alma, não haja mais espaço para lamentos. Quero encher esse mar, de felicidade, e ouso a afirmar, simplificando e facilitando tudo, que lamentar-se é um vício. E, ainda, ouso a indagar: por que a felicidade também não pode ser um vício? Com direito a crise de abstinência e tudo mais.

 

Marcelo Albertini

domingo, 27 de julho de 2014

Ventos
Caminhos
Direções...

Encontros
Destinos
Estações...

O sol dizendo que sim
A chuva dizendo que não

Abraços
Beijos
Sorrisos...

Sarcasmos
Desprezos
Abismos...

O peito procurando a luz
A pele escapando de arranhões

Impasses
Ultrajes
Desmedidos...

Encaixes
Perfeitos
Desunidos...

O fio da faca a acariciar a pele
O carinho da mão a descascar a fruta

Sonhos
Dourados
Na cumbuca...

Enfados
Pesados
Na nuca...

Meu sorriso distante de mim
Seu sorriso distante de si

Amores
Sob sombras
Trocadas...

Chamas
Com brasas
Escassas...

Os caminhos dizendo que sim
Os enganos dizendo que não

A mão
Procurando
"A mão"

A mão
Procurando
Em vão

Enquanto o vento percorre o caminho certo
E o tempo escorre pelas nossas mãos

Marcelo Albertini


sábado, 26 de julho de 2014

Ela via o mundo de uma forma,
que eu nunca havia enxergado
antes de conhecê-la.

Ela me notava de um jeito,
que nem eu mesmo
havia me notado antes.

Ela trazia o céu,
pra bem perto
de nós dois.

Ao seu lado,
eu me sentia feito véu
jogado ao brando vento.


Marcelo Albertini

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Não deixe as fadas do conto ficarem sabendo que por falta da magia do amor, pessoas estão morrendo por aqui. Não deixe as fadas do conto ficarem sabendo que por falta das magias da solidariedade e da caridade, pessoas estão passando fome e frio por aqui. Não deixe as fadas do conto ficarem sabendo que por falta de sabedoria, pessoas continuam a travar guerra por aqui. Não deixe as fadas do conto ficarem sabendo que por falta da magia da esperança, pessoas boas estão adoecendo. Não deixe as fadas do conto ficarem sabendo que faltam tantas outras magias tão importantes por aqui. Não deixe as fadas do conto ficarem sabendo, que a grande maioria das pessoas, não estão sendo contagiadas pela magia da minoria que amam, que são solidárias, caridosas e sábias. Não deixe as fadas do conto ficarem sabendo que nenhuma dessas pessoas, as quais fazem parte da minoria estão no poder, em nenhum lugar do mundo. Não deixe as fadas do conto ficarem sabendo que aqueles que lutam em prol do bem comum, e vão a público, acabam enfrentando terríveis dificuldades e, até morrendo, tornando-se mártires. Não deixe as fadas do conto ficarem sabendo que a desigualdade por aqui é tanta, que as pessoas preferem não tomar consciência, porque chega a doer. Diga a elas, que recuso o convite para habitar o seu mundo. Vontade não me falta, sobra. Mas não posso apagar as lâmpadas da mente e do coração e, simplesmente sair de fininho negando apoio aos meus iguais, consumando um ato de covardia. Por favor, diga a elas que permanecerei por aqui. Dê uma desculpa qualquer, mas não deixe que as fadas do conto fiquem sabendo, nem por decreto, que o conto daqui enfada. E o fardo de injustiças, a cada dia que passa, fica mais pesado. E não há fada que dê conta de assimilar tudo que acontece por aqui. É preciso ser muito humano.


Marcelo Albertini 

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Estou muito distante de ser santificado
Só pelo fato de ser poeta, já caio pro final da lista
Mas tem horas que fico contemplando esse meu vazio
Como se ele fosse um templo repleto de "faltas" inofensivas
Tão alheio a esse grande vazio que nos circunda por aí
Como se estivéssemos dentro de um gigantesco sino
Prestes a iniciar infinitas baladas tilintando nossa harmonia
Ficamos todos ensurdecidos protegendo nossos pequeninos
E sacros vazios


Marcelo Albertini

terça-feira, 22 de julho de 2014


Mas que crônica cronicamente crônica que escrevi. Comecei escrevendo amor... crônico. Continuei escrevendo ilusão... crônica. Não pude evitar e escrevi desilusão... crônica, a qual me levou a escrever imediatamente sofrimento... crônico. Deveria ter parado de escrever nesse exato momento. Atrevi-me e continuar e escrevi dor... crônica. Voltei os olhos e reli a palavra anterior e doeu mais ainda... cronicamente. Indaguei-me: mas que crônica é essa? Respondi-me: não é crônica, são sentimentos... crônicos. A única coisa que não é crônica em minha vida é a paixão. Essa danada insisti em ser aguda.

Marcelo Albertini

segunda-feira, 21 de julho de 2014


Poeta quando criança,
Nunca diz que vai ser poeta quando crescer.

Nunca ouvi criança nenhuma dizer:

- Quero ser poeta quando eu crescer!
Poeta geralmente se torna tantas outras coisas,

Antes de se descobrir poeta.
Poeta geralmente deixa de escrever tantos versos,

Antes de se descobrir poeta.
Poeta geralmente se nega a ser poeta,

Antes de se descobrir poeta.
Poeta já nasce poeta,

Predestinado antes de seu nascimento,
Lavrado nos autos das escrituras celestiais.

Ao passo colocado em sucessivas passadas,
Que sempre o levam para o exercício de escrever,

Ser poeta não é uma questão de escolha.
Poeta nasce poeta, cresce poeta,

Escreve, descreve, discorre e escreve, escreve...
E permanece poeta em seus escritos,

Para todo o sempre.
Poeta se eterniza no amor, na dor, no sofrimento...

Na alegria, na felicidade, na tristeza, nos lamentos...
Na teoria e na prática explícitas ou veladas...

De tudo aquilo que escreveu.

Marcelo Albertini

domingo, 20 de julho de 2014

Às vezes me perco durante a viagem. Durmo e passo batido pelo destino almejado. Às vezes retorno, noutras vezes não. Às vezes é bom, noutras vezes é ruim. Às vezes erro tentando acertar, noutras vezes acerto errando. O caminho é muito exaustivo. É inevitável se render aos cochilos. O caminho é tão exaustivo, que às vezes me perco do meu próprio destino.


Marcelo Albertini

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Versos vermelhos

Pensando em ti,
pintei meus versos.

Não havia tinta,
mas nem foi preciso.

Estava a jorrar sangue...
pelo peito ferido, ainda aberto...
pelo peito aberto, ainda ferido.


Marcelo Albertini

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Ao vê-la esfacelada e prostrada sobre a cama, configurando o cenário de um mar de tristeza, ele perguntou:
- O que sentes?
E ela respondeu com a voz a sumir antes do término da pronúncia da única palavra que conseguiu falar:
- Frio.
Ele se dirigiu até o armário, tomou para si um agasalho e um par de meias e ajudou-a a se vestir, mas percebeu que não havia mudado nada. Então, insistiu na pergunta:
- O que sentes?
E ela insistiu na resposta:
- Frio.
Rapidamente ele foi até a cozinha, passou um café e levou até ela. Ela tomou. E ainda assim não havia mudado nada. E ele perguntou novamente, com a mesma calma:
- O que sentes?
E ela respondeu acrescentando duas palavras, sendo uma delas repetida:
- Frio. Muito frio.
Ele retornou ao armário, pegou dois cobertores e a cobriu delicadamente. E ela continuou a esbanjar tristeza. E ele continuou a perguntar:
- O que sentes:
E ela respondeu:
- Frio.
Ele retirou os sapatos e se aconchegou ao seu lado na cama. Envolveu-a em seus braços, suspirou fortemente e a apertou num abraço vigoroso sem previsão de fim. Então, olhou para ela e notou que seu semblante havia melhorado. Apenas permaneceu ali ao seu lado e não perguntou mais nada, mas mesmo assim, ela se virou para ele, sorriu e disse:
- Não sinto mais frio.
E ele apenas devolveu o sorriso.

Marcelo Albertini


quarta-feira, 16 de julho de 2014

Ah, se todo Mário
fosse Moraes.
Se todo Vinicius
fosse Quintana.

Se todo Gonçalves
fosse Drummond.
Se todo Carlos
fosse Dias.

Se todo Paulo
fosse Neruda.
Se todo Pablo
fosse Leminski.

Se todo Machado
fosse Pessoa.
Se todo Fernando
fosse de Assis.

Ah, se toda Florbela
fosse Lispector.
Se toda Clarice
fosse Espanca.

Se toda Cecília
fosse Coralina.
Se toda Cora
fosse Meireles.

Ah, se toda a poesia
estivesse no ser humano.
Se todo ser humano
estivesse imerso em poesia.

Nas vidas,
haveria mais mundo.
No mundo,
haveria mais vida.


Marcelo Albertini
Amor tranquilo

Louca paixão...
Quem nunca teve?
Quem nunca quis?

Louca paixão...
Que de tão boa,
te deixa infeliz.

Louca paixão...
Que de tão boa,
desiste de ti.
...
Hoje só quero repousar,
nos embalos da rede
de um amor tranquilo.

Hoje só quero me embalar,
na felicidade de ter um amor,
sempre comigo, em nossos caminhos.


Marcelo Albertini

terça-feira, 15 de julho de 2014


Céu,
gigantesco quadro negro.
Uma vez me disseram
que estava escrito
nas estrelas.
Até o presente
momento,
nada li.
Apenas alguns
rascunhos
de textos
incompletos,
de escribas
que não retornaram
para retomar o processo.
Se havia estrelas
inscritas em ti,
algum apagador
sobrevoou por aí,
apagando escrituras
estrelares
como se apagasse
rabiscos de giz.
Ou dessa
linguagem,
ainda não aprendi.


Marcelo Albertini

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Antes fosse...

Antes fosse amor
Seríamos, agora, um
Mas somos, agora, dois
Eu, sempre a dois passos
de um poço chamado saudade
Você, sempre a dois palmos
de minhas ilusões
Dois caminhos distanciados
Um sonho passado
contido no silêncio dum antes
que foi amor
e se foi


Marcelo Albertini

sábado, 12 de julho de 2014

Toda essa insensibilidade
que me rodeia,
apaga a luz de minha razão.
Sigo no escuro,
submerso num lago
repleto de mágoas minhas,
de autoria de outrem.
Inclino a cabeça
para tentar respirar
o ar da orientação.
Mas continuo a seguir
trôpego e desorientado.
Sigo fadigado e desacreditado,
tanto, tanto, mas tanto,
que não consigo enxergar
a centelha que emana
a luz da minha reorientação.
Mas eu sei que ela existe.
Eu sei que existe gente
com coração.
Apesar de toda essa
frustração.


Marcelo Albertini

sexta-feira, 11 de julho de 2014

acho que não seria bom
ficar a sós contigo...
por você sinto aquela sensação
de imaginar nós dois, 
bem mais que amigos...
mas das vezes que deixei 
essas situações fluírem,
coloquei amizades em risco...
algumas, até hoje,
estão sendo julgadas,
nem sei onde e nem por quem.
só sei que não é por mim.
mas ainda acho que não seria bom
ficar muito a sós contigo.

quando te vejo?

Marcelo Albertini

quinta-feira, 10 de julho de 2014


Falar ou escrever?

 

São tantas palavras

que saem tropicando

umas nas outras,

procurando atalho

pra atingir o papel.

 

É tanto silêncio

pra sentir o barulho

do vento,

e ouvir a pele se arrepiar,

que nos falta voz,

mas não faltam palavras.

 

Palavras usadas

a contento,

na leitura,

no teu silêncio...

basta para leres

o meu.

 

Ouvirás sempre

minha voz quente

quando me leres.

Pois, às vezes, falar...

é lançar palavras

num vácuo insensível.

Escrever é compartilhar

silêncios... dignos.

 

Marcelo Albertini