sábado, 11 de outubro de 2014


A garota que me comia com os olhos

me inspirava a escrever poemas platônicos.

A garota que me comia com os olhos

me desafinava e me tirava do tom,

da nota, do timbre e do chão.

A garota que me comia com os olhos

desentoava todos os meus cantos,

em todos os cantos do meu ser.

A garota que me comia com os olhos me ensinou

que nem tudo o que se demonstra com os olhos

se sente no fundo do coração.

Da garota que me comia com os olhos,

decidi ficar apenas com o seu olhar.

O resto não vale nem a pena branca,

que lindamente eu vejo o vento levar.

 

Marcelo Albertini

 

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