domingo, 31 de agosto de 2014


Tentou tirar

Corações da cartola.

 
Tentou conquistar um amor

Num abracadabra.

 
Tentou adentrar corações

Num passe de mágica.

 
Tentou tirar da manga alguns truques,

Os quais não deram em nada.

 
É mais do que certo

Que o amor é uma magia

Onde não há mágica.

 
Marcelo Albertini

sábado, 30 de agosto de 2014


Penso nas entrelinhas

da vida,

enquanto meu café

esfria.

 

Penso em tudo aquilo

que não entendi,

enquanto meu café

esfria.

 

Penso em tudo aquilo

que não entenderam,

enquanto meu café

esfria.

 

Penso na importância

de entender as entrelinhas,

enquanto meu café

esfria.

 

Desperto e sinto o gosto

da incompreensão,

no gosto do café

frio.

 

Marcelo Albertini

quinta-feira, 28 de agosto de 2014


Saiba que a tua angústia

é a minha angústia

elevada a décima.

 

Se não me escorrem

lágrimas.

 

Se meu semblante,

não fica o tempo todo

entristecido.

 

É porque eu preciso

tentar, ao menos,

pôr em teu rosto

um sorriso.

 

Marcelo Albertini

sábado, 23 de agosto de 2014


Deu nó

na garganta

 

Deu nó

nos dizeres

 

Deu nó

nos agires

 

Deu nó

nos fazeres

 

Deu nó

nos olhares

 

Deu nó

nos sorrisos

 

Deu nós

no abraço

 

Deu nós

no amor.

 

Marcelo Albertini
Não era o tempo que passava rápido demais,
não era.
Era eu que achava que não tinha tempo
para aproveitar melhor o tempo que tinha.
Era o tempo e eu.
Ele tão simples
e eu tão complexo.
Ele apenas passava,
e eu parava enquanto pensava
que estava o perdendo....
E ele passava
enquanto eu reclamava que ele não parava,
nunca.
Ele cumpria seu papel
e eu deixava de cumprir o meu,
enquanto me preocupava com a falta de tempo.
Custou, levou, restou algum tempo
para eu entender,
que o tempo
tem que passar
e eu
tenho apenas
que viver.

Marcelo Albertini

sábado, 16 de agosto de 2014


Ao seu encontro

me desencontro.

Ganho alguns medos,

perco alguns sonhos.

E você me diz:

- Tá tudo certo!

À sua entrega

me desintegro.

Perco desejos,

ganho mistérios.

E você me diz:

- Tá tudo certo!

À sua espera

me desespero.

Olho pros lados

e não me vejo

em nenhum retrato.

E você me diz:

- Tá tudo certo!

E suas palavras

soam incertas,

tanto quanto as dúvidas,

que ficam entre as frestas.

E eu me sinto

assim tão incerto,

 toda vez que você me diz:

- Tá tudo certo!
 

Marcelo Albertini

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Navego num mar de lírios,
procurando jasmim.

Entrego-me aos delírios,
porque jaz em mim.


Marcelo Albertini


domingo, 10 de agosto de 2014

(Talvez não deva ter título)

Talvez eu saiba
porque muita gente
não concorda comigo.

Talvez seja porque
eu acredito naqueles
que quase ninguém acredita.

Talvez seja porque
eu acredito naquilo
que quase ninguém acredita.

Talvez seja por isso
que eu nunca gostei desse negócio
de grande maioria.

Talvez seja porque
na tal da grande maioria
não tenha ninguém e nem nada
daquilo que eu acredito.


Marcelo Albertini

quarta-feira, 6 de agosto de 2014


Tanto quanto...


Quantos cantos eu entoaria

Para te esquecer

Tantos agudos eu atingiria

Para te enlouquecer

Quantos graves me agravariam

Ao entoar você

Tantos fatos insistiriam

Em me entristecer

Quantos artifícios em vão

Eu empregaria...

Tanto quanto me iludiria

Em te esquecer.


Marcelo Albertini

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

O quarto elemento

Primeiro o terceiro.
Depois o segundo.
Depois o primeiro,
que queria tanto...
tanto, tanto, tanto
ser o primeiro,
que não batalhou
tanto quanto
o segundo e o terceiro.
Enquanto o quarto elemento,
apenas observa e analisava tudo
sob a sombra da sabedoria.
Desta forma, ele transcendia...
Podia ser o quarto, o quinto, o sexto...
Podia ser o infinito, infinitas vezes.


Marcelo Albertini

domingo, 3 de agosto de 2014

Inverna-me...
se for capaz de me aquecer
no verão.

Outona-me...
se for capaz de florir junto a mim,
na primavera.


Marcelo Albertini

sexta-feira, 1 de agosto de 2014


Velha casa distante de tudo

Janelas e portas quebradas a deteriorarem

Telhado cedendo... Forro habitado por morcegos

Teias de aranha nos cantos de tudo e em tudo

Piso de assoalho virando comida para cupins

Pó, poeira, terra, sujeira por toda casa, pratos, prateleiras

Moveis cobertos por panos outrora brancos

Sobrado imenso com sótão e porão

Esconderijos, biblioteca, escadaria a guardar segredos

Quintal extenso com jardim tomado por mato

Ladrilho repleto de folhas secas das árvores anciãs

Garagem com algumas telhas, forro caindo a proteger o antigo carro

Pneus murchos, motor fundido e um pequeno amassado na traseira

Para não restar dúvidas de que o automóvel já foi utilizado

Paredes externas de cor indistinguível

Sombras... Soma da trama visualizada configurando um cenário sombrio

Resultado típico de ausência... de falta de manutenção, de cuidado, de carinho...

Bastava notar apenas a falta de flores no jardim

Para saber que aquilo que parecia ser cena de filme de terror

Era apenas resultado típico de abandono.


Marcelo Albertini
O melhor amor que existe é aquele que, a princípio, não desperta interesse. O melhor amor que existe é aquele que está completamente desvinculado de interesses materiais, sociais, culturais e, principalmente desvinculado de interesses sentimentais. O melhor amor que existe é aquele que oferece amor sem querer nada em troca, sequer amor.


Marcelo Albertini