A garota que me comia com os olhos
me inspirava a escrever poemas platônicos.
A garota que me comia com os olhos
me desafinava e me tirava do tom,
da nota, do timbre e do chão.
A garota que me comia com os olhos
desentoava todos os meus cantos,
em todos os cantos do meu ser.
A garota que me comia com os olhos me ensinou
que nem tudo o que se demonstra com os olhos
se sente no fundo do coração.
Da garota que me comia com os olhos,
decidi ficar apenas com o seu olhar.
O resto não vale nem a pena branca,
que lindamente eu vejo o vento levar.
Marcelo Albertini