terça-feira, 28 de outubro de 2014


Quando eu era menino,

tudo parecia ser maior

do que realmente é,

mas eu nunca me senti

pequeno,

quando eu era menino.

 

Marcelo Albertini

sábado, 25 de outubro de 2014


Enquanto as pessoas

tentam te levar no papo,

o fim do dia te leva pra lua,

a lua te leva pra rua,

a rua te dá liberdade,

e a liberdade te leva a acreditar,

muito mais em você.

 

Marcelo Albertini

quinta-feira, 23 de outubro de 2014


Êxtase verbal
 
Poesia d'alma se aflora
com o escurecer na aurora.
 
Apagam-se as luzes
e o palco nos convida...
 
Zumbis na plateia intrínseca...
Quem ousa pôr uma lua?
 
Verso com verso chamando mais versos,
feitos interruptores de poesia.
 
Versos temidos, confesso...
Preferia erotizar nas entrelinhas...
 
Mas não há pornografia que supere,
os orgasmos da alma aflita.
 
Escrevo poemas nus
nascidos sob a influência da lua despida.
 
Marcelo Albertini

Em seus braços

 

Fiquei em pedaços noutros braços

No espaço dum tempo me refiz em versos

Versos tristes

 

Hoje me refaço em seus braços

Leito onde desperta a poesia

Inverso dos versos de outrora

 

Hoje me refaço noutros versos

Desperto junto a poesia dum novo tempo

Tempo de amor em minha vida

 

Marcelo Albertini

segunda-feira, 20 de outubro de 2014



Não é...


 


Não é nada


esse tudo que transborda.


Não é tudo


esse nada que incomoda.


Não é pouco


esse muito desprezível.


Não é muito


esse pouco indiscutível.


Não é menos


que o tudo de outrora.


Não é mais


que o nada de agora.


Não é tudo


do que era pouco.


Não é nada


do que era muito.


Não é tudo


perto do teu nada.


Não é nada


perto do teu tudo.


Mas é tudo


perto do pouco tenho.


Mas é nada


perto do muito que sinto.


 


Marcelo Albertini


 


 


 

sexta-feira, 17 de outubro de 2014


Ela dissecou
meu miocárdio
e se foi...
Realizei
auto suturas
e compreendi...
a cada ponto,
em cada cicatriz,
que não se oferece
algo tão especial,
para qualquer pessoa.
 
Marcelo Albertini

sábado, 11 de outubro de 2014


A garota que me comia com os olhos

me inspirava a escrever poemas platônicos.

A garota que me comia com os olhos

me desafinava e me tirava do tom,

da nota, do timbre e do chão.

A garota que me comia com os olhos

desentoava todos os meus cantos,

em todos os cantos do meu ser.

A garota que me comia com os olhos me ensinou

que nem tudo o que se demonstra com os olhos

se sente no fundo do coração.

Da garota que me comia com os olhos,

decidi ficar apenas com o seu olhar.

O resto não vale nem a pena branca,

que lindamente eu vejo o vento levar.

 

Marcelo Albertini

 

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Não me lembro
da primeira vez
em que eu respirei.

Mas a vivenciei.

Talvez não seja possível,
lembrar-me da última vez
em que eu respirar.

Mas vou vivenciá-la.


Marcelo Albertini