Ao vê-la esfacelada e prostrada sobre a cama, configurando o
cenário de um mar de tristeza, ele perguntou:
- O que sentes?
E ela respondeu com a voz a sumir antes do término da
pronúncia da única palavra que conseguiu falar:
- Frio.
Ele se dirigiu até o armário, tomou para si um agasalho e um
par de meias e ajudou-a a se vestir, mas percebeu que não havia mudado nada.
Então, insistiu na pergunta:
- O que sentes?
E ela insistiu na resposta:
- Frio.
Rapidamente ele foi até a cozinha, passou um café e levou até
ela. Ela tomou. E ainda assim não havia mudado nada. E ele perguntou novamente,
com a mesma calma:
- O que sentes?
E ela respondeu acrescentando duas palavras, sendo uma delas
repetida:
- Frio. Muito frio.
Ele retornou ao armário, pegou dois cobertores e a cobriu
delicadamente. E ela continuou a esbanjar tristeza. E ele continuou a
perguntar:
- O que sentes:
E ela respondeu:
- Frio.
Ele retirou os sapatos e se aconchegou ao seu lado na cama.
Envolveu-a em seus braços, suspirou fortemente e a apertou num abraço vigoroso
sem previsão de fim. Então, olhou para ela e notou que seu semblante havia
melhorado. Apenas permaneceu ali ao seu lado e não perguntou mais nada, mas
mesmo assim, ela se virou para ele, sorriu e disse:
- Não sinto mais frio.
E ele apenas devolveu o sorriso.
Marcelo Albertini
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