sexta-feira, 4 de julho de 2014


A poesia está por aí...

 

Há poesia no jardim de meu quintal

Nas roupas estendidas no varal

No João de Barro a construir sua casa num poste de eletricidade

Há poesia nas coisas do campo

e nas coisas da cidade

Há poesia nos embalos do dia

e nos regalos da noite

Há poesia no sol, do nascente ao poente

Há poesia na lua a quebrar lindamente a escuridão do céu

Há poesia no véu da moça que casa

Há poesia na moça que solteira decide ficar

Há poesia para os amores correspondidos

e para os amores desiludidos

Há poesia pro povo do beco, do gueto, do frevo,

do frio, do calor, do fervo, da calma, da luz e do breu

A poesia pode estar nas igrejas e nos centros espíritas

Pode estar em seitas e monastérios

A poesia pode estar nos corações dos religiosos e dos ateus

A poesia não se importa com cor, raça ou orientação sexual

A poesia gosta de diversidade

A poesia toca os corações de pessoas com baixo e alto astral

A poesia age positivamente nos bons e maus momentos

Há poesia no vento

e no remoer de ressentimentos

Há poesia na brisa

e no inebriar-se de alegria

Há poesia na realidade

e na fantasia

Há poesia na dor de quem perde alguém

Há poesia no choro de dor de quem nasce

que emana alegria ao entorno de quem escuta

Há poesia nos rastros de quem se vai

e na angústia de quem fica

Há poesia no bom e no ruim do amor

Há poesia nos lábios de quem sorri

e no escorrer de lágrimas dos olhos de quem chora

A poesia pode estar em todos os lugares

e em todos os momentos

A poesia pode ser o cobertor a aquecer no frio

Pode ser a luz a clarear o breu

A poesia pode ser o lenço a enxugar as lágrimas

Pode ser o abraço a confortar corpo e alma

A poesia pode ser o chocolate quente no inverno

Pode ser o sorvete no verão

A poesia tem acesso livre a todas as dimensões

A poesia enriquece as canções

Consegue invadir até os corações mais rijos

A poesia come pelas beiradas

e sempre atinge seu objetivo

A poesia está nas pessoas

nas coisas, na natureza

No tacho com tutu de feijão sobre o fogão à lenha

Nas lendas contadas aos amigos ao redor da fogueira num dia frio

No tilintar de copos de bebida a baterem no compartilhar de alegrias

A poesia está até nas coisas que não se vê

Está nas coisas que se sente

E nas coisas que se pressente

Está no amor aos presentes e aos ausentes

Está com aqueles que se vão,

mas está, especialmente, com aqueles que ficam

A poesia está na sincronia aguçada das sensações do poeta

com o percorrer afoito da caneta sobre a folha de papel,

mas está, principalmente, nas fontes de inspiração

Essas sim são reais poesias

Pois sem elas

poema nenhum haveria.

 

Marcelo Albertini

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