A poesia está por aí...
Há poesia no jardim de meu quintal
Nas roupas estendidas no varal
No João de Barro a construir sua casa num poste de
eletricidade
Há poesia nas coisas do campo
e nas coisas da cidade
Há poesia nos embalos do dia
e nos regalos da noite
Há poesia no sol, do nascente ao poente
Há poesia na lua a quebrar lindamente a escuridão do céu
Há poesia no véu da moça que casa
Há poesia na moça que solteira decide ficar
Há poesia para os amores correspondidos
e para os amores desiludidos
Há poesia pro povo do beco, do gueto, do frevo,
do frio, do calor, do fervo, da calma, da luz e do breu
A poesia pode estar nas igrejas e nos centros espíritas
Pode estar em seitas e monastérios
A poesia pode estar nos corações dos religiosos e dos ateus
A poesia não se importa com cor, raça ou orientação sexual
A poesia gosta de diversidade
A poesia toca os corações de pessoas com baixo e alto astral
A poesia age positivamente nos bons e maus momentos
Há poesia no vento
e no remoer de ressentimentos
Há poesia na brisa
e no inebriar-se de alegria
Há poesia na realidade
e na fantasia
Há poesia na dor de quem perde alguém
Há poesia no choro de dor de quem nasce
que emana alegria ao entorno de quem escuta
Há poesia nos rastros de quem se vai
e na angústia de quem fica
Há poesia no bom e no ruim do amor
Há poesia nos lábios de quem sorri
e no escorrer de lágrimas dos olhos de quem chora
A poesia pode estar em todos os lugares
e em todos os momentos
A poesia pode ser o cobertor a aquecer no frio
Pode ser a luz a clarear o breu
A poesia pode ser o lenço a enxugar as lágrimas
Pode ser o abraço a confortar corpo e alma
A poesia pode ser o chocolate quente no inverno
Pode ser o sorvete no verão
A poesia tem acesso livre a todas as dimensões
A poesia enriquece as canções
Consegue invadir até os corações mais rijos
A poesia come pelas beiradas
e sempre atinge seu objetivo
A poesia está nas pessoas
nas coisas, na natureza
No tacho com tutu de feijão sobre o fogão à lenha
Nas lendas contadas aos amigos ao redor da fogueira num dia frio
No tilintar de copos de bebida a baterem no compartilhar de
alegrias
A poesia está até nas coisas que não se vê
Está nas coisas que se sente
E nas coisas que se pressente
Está no amor aos presentes e aos ausentes
Está com aqueles que se vão,
mas está, especialmente, com aqueles que ficam
A poesia está na sincronia aguçada das sensações do poeta
com o percorrer afoito da caneta sobre a folha de papel,
mas está, principalmente, nas fontes de inspiração
Essas sim são reais poesias
Pois sem elas
poema nenhum haveria.
Marcelo Albertini
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