Não deixe as fadas do conto
ficarem sabendo que por falta da magia do amor, pessoas estão morrendo por
aqui. Não deixe as fadas do conto ficarem sabendo que por falta das magias da
solidariedade e da caridade, pessoas estão passando fome e frio por aqui. Não
deixe as fadas do conto ficarem sabendo que por falta de sabedoria, pessoas
continuam a travar guerra por aqui. Não deixe as fadas do conto ficarem sabendo
que por falta da magia da esperança, pessoas boas estão adoecendo. Não deixe as
fadas do conto ficarem sabendo que faltam tantas outras magias tão importantes
por aqui. Não deixe as fadas do conto ficarem sabendo, que a grande maioria das
pessoas, não estão sendo contagiadas pela magia da minoria que amam, que são
solidárias, caridosas e sábias. Não deixe as fadas do conto ficarem sabendo que
nenhuma dessas pessoas, as quais fazem parte da minoria estão no poder, em
nenhum lugar do mundo. Não deixe as fadas do conto ficarem sabendo que aqueles
que lutam em prol do bem comum, e vão a público, acabam enfrentando terríveis
dificuldades e, até morrendo, tornando-se mártires. Não deixe as fadas do conto
ficarem sabendo que a desigualdade por aqui é tanta, que as pessoas preferem
não tomar consciência, porque chega a doer. Diga a elas, que recuso o convite para
habitar o seu mundo. Vontade não me falta, sobra. Mas não posso apagar as
lâmpadas da mente e do coração e, simplesmente sair de fininho negando apoio
aos meus iguais, consumando um ato de covardia. Por favor, diga a elas que
permanecerei por aqui. Dê uma desculpa qualquer, mas não deixe que as fadas do
conto fiquem sabendo, nem por decreto, que o conto daqui enfada. E o fardo de
injustiças, a cada dia que passa, fica mais pesado. E não há fada que dê conta
de assimilar tudo que acontece por aqui. É preciso ser muito humano.
Marcelo Albertini
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