Vai
Vem bem lá de dentro
fecundada no martírio,
nos sofrimentos enfileirados,
emparelhados e enaltecidos.
Vem das verdades e da
mentiras,
misturadas e entrelaçadas
numa paradoxal harmonia.
Vem do instilar minucioso
e categórico das palavras
que semeiam a angústia
e colhem a dor.
Vem da indiferença
articulada e pré-definida,
que fere aos poucos
e insulta a ferida.
Vem da falta de tino
e de conhecimento,
do falso sorriso,
do falso discurso
e do real abismo.
Vem bem lá do fundo,
daquele que pulsa,
que vibra, que sente
bem mais que sentido.
Vem de quem não se espera.
Vem da onde não se conta.
Vem da onde se encanta.
Vem, sempre vem.
Vai.
Marcelo Albertini
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