segunda-feira, 6 de julho de 2015


Primeiro levaram meus rins.

Sobrevivi.

Depois levaram meu fígado.

Sobrevivi.

Sem dó levaram meu pâncreas,

meu baço, meu estômago e meu intestino.

Fiquei sem chão à mercê do destino,

mas não caí em desatino.

Acreditem... Sobrevivi.

Até que tiraram meu ar.

Ousaram meus pulmões levar.

E levaram.

Ainda assim, sobrevivi.

Mas no dia mais belo

que eu já vivi,

sob a luz sagrada

e verdadeira do luar,

levaram meu coração.

Fiquei sem ação.

Perdi a noção.

Enquanto levavam

meu coração dizendo:

"-Agora é o fim."

Morri querendo morrer.

Renasci querendo viver.

Não contavam com isso.

Mas não teve jeito.

Poeta eu virei.

 

Marcelo Albertini

 

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