Primeiro levaram meus rins.
Sobrevivi.
Depois levaram meu fígado.
Sobrevivi.
Sem dó levaram meu pâncreas,
meu baço, meu estômago e meu intestino.
Fiquei sem chão à mercê do destino,
mas não caí em desatino.
Acreditem... Sobrevivi.
Até que tiraram meu ar.
Ousaram meus pulmões levar.
E levaram.
Ainda assim, sobrevivi.
Mas no dia mais belo
que eu já vivi,
sob a luz sagrada
e verdadeira do luar,
levaram meu coração.
Fiquei sem ação.
Perdi a noção.
Enquanto levavam
meu coração dizendo:
"-Agora é o fim."
Morri querendo morrer.
Renasci querendo viver.
Não contavam com isso.
Mas não teve jeito.
Poeta eu virei.
Marcelo Albertini
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