domingo, 15 de fevereiro de 2015


Ela tinha uma excêntrica mania

de engavetar amores.

Seguia convicta

de que havia se esquecido de todos.

Só que a cada amor que engavetava,

engavetava um pouquinho de si.

E assim seguia esmaecendo aos poucos.

Enquanto seu arquivo

de amores mal resolvidos crescia,

em dores ela diminuía.

Levantar e acenar com um pano branco.

Sim! Ela podia.

Talvez exorcizar os amores antigos...

melhor resolveria.

Mas ela apenas seguia

fingindo que nada sentia

e que de nada sabia.

 

Marcelo Albertini

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